domingo, 22 de março de 2009
sábado, 21 de março de 2009

Pau Brasil
Em 14 de março, às 20h30, o Quinteto Pau Brasil se apresentou no Centro de Convenções Victor Brecheret em Atibaia. Formado em 1979, o quinteto é um dos principais pontos de referência da música instrumental brasileira.
Sua proposta original é a criação de um repertório visceralmente brasileiro, embora provindo de influências as mais diversas, conforme preconizava Oswald de Andrade no seu "Manifesto Pau Brasil". É uma música enérgica, cheia de surpresas, de um bom humor contagiante.
Sua sonoridade única originou convites para várias turnês pelos Estados Unidos, Japão, e Europa, onde participou dos mais prestigiosos Festivais de Jazz, como os de Paris e Nancy (França), Willisau (Suiça), Freiburg (Alemanha), Sardenha (Itália), Norwich (Inglaterra), e muitos outros.
O grupo conta de oito CDs, cinco deles lançados internacionalmente. Seu CD "Babel", de 1996, foi indicado ao Grammy norte americano na categoria Best Jazz Group.
Ao longo de seus 25 anos de trajetória, mais de 20 músicos passaram por suas diversas formações, como os saxofonistas Roberto Sion e Hector Costita, o acordeonista Toninho Ferragutti, a cantora Marlui Miranda, os tecladistas Lelo Nazário e Cristóvão Bastos, e os bateristas Azael Rodrigues, Nenê, Bob Wyatt e Zé Eduardo Nazário.
O baixista Rodolfo Stroeter é o único que se mantém no grupo desde sua formação, e ampliou a "grife" Pau Brasil para um bem sucedido selo independente, responsável por alguns dos mais instigantes CDs lançados nos últimos anos.
Após alguns anos de apresentações ocasionais, o grupo ressurge agora com toda a força, trazendo além de Rodolfo mais dois de seus componentes originais, Nelson Ayres (teclados) e Paulo Bellinati (violão), o experiente e reconhecido saxofonista Teco Cardoso, e ainda apresenta o enorme talento de Ricardo Mosca (bateria).
Pau Brasil 2005 é o título no novo CD do grupo, lançado pela Biscoito Fino. E o lançamento aconteceu nos dias 13 e 14 de agosto com uma grande festa no SESC Pinheiros, onde o quinteto teve como convidados "apenas" os 70 músicos da Orquestra Jazz Sinfônica.
No repertório versões originalíssimas de clássicos brasileiros como "Baixa do Sapateiro", de Ary Barroso, "Bye Bye Brasil", de Roberto Menescal e Chico Buarque, "Martelo", a quase desconhecida segunda parte das Bachianas Brasileiras n.5 de Villa Lobos; composições que já são clássicos da música instrumental como "Jongo" e "Pulo do Gato" de Paulo Bellinati, e "Só Xote", "A Arte de Voar" e "Fogo no Baile" de Nelson Ayres; e ainda deliciosas novidades como "Ciranda" de Rodolfo Stroeter e Bellinati.
(fonte: Assessoria de Imprensa do Pau Brasil)
domingo, 22 de fevereiro de 2009
A EDUARDO BARROX
Por Euclides Sandoval
Almas constroem almas, almas enterram almas. Almas de vivos, almas de mortos. Há quem o conheceu e conviveu com ele. É para estes que, ao amanhecer de hoje, escrevo. Os que vão, tomando atalhos, vida em corte esquizofrênico, já foram nutridos pela morte. Almas cuidam de almas... Creio nisso. Ele, dois nomes. Um, aterrado em solo urbano. O outro, cosmopolita. É como estar aqui e caminhar ao lado do Sena. Dois mundos, duas vidas, numa só pessoa. Arte, o amálgama. Impossível não acreditar no espírito, quando se é tão fecundo. Espírito que continua nas próprias lidas. Tão ele, e tão integrativo. Dava pouca importância – ao que parecia – às coisas do mundo quantofrênico: compromissos de medida e preço. Espírito irrequieto, alquimista da imagem e da palavra. Sempre vendo as coisas em perspectiva. Envolvido e distante, ao mesmo tempo. Daí ser surpreendido por um corte abrupto. Num golpe de mestre, sua arte, rara arte, sobrevivia nas muitas publicações que criou. Valorizava os desconhecidos do sistema cultural, sem se submeter aos cânones que empobrecem a criatividade. Versátil, muito humano, despertava sensibilidades. Ele se acompanhava de gênios e tolos, muitos já passados. Eu, um dos tolos, meus textos e folhetim incompleto. Despertava lampejos de fé em nós mesmos. Nas relações, muitas vezes não o compreendiam e, de fato, chegava a infringir essa coisa tão bem repartida – o bom senso. Existia para transgredir, graças ao próprio e espetacular talento de artista amplo e completo. O caráter cosmopolita sempre presente. Até sofisticação. Profundamente e demasiadamente sensível, costumava brincar nas relações com quem elegia como mais próximo de seus desejos e aspirações. Sei que escrevo de forma medíocre e anárquica, sem pretender embrulhá-lo como mercadoria. Eu o conheci muito pouco. Uma pouquice inesquecível. Trabalhamos juntos, como voluntários, em um jornal. Sempre nos entendemos, até nos completando. Deixou nossa cidade, aquele belo painel da praça, criação dele e de outros grandes artistas daqui. Aqui e de lá de São Paulo me publicou. Aceitou colaborar no meu teatro, quando fiz Molière, e num ensaio fotográfico, entre sonoros tonéis de vinho. Disponível para os amigos. O atalho, por certo, não foi para o nada. Sei que continuará nos inspirando.
Por Élsie Costa
Eduardo, como muitos artistas era uma pessoa avessa às banalidades. Seu comportamento incomum e de espírito critico, deixou marcas. Foi colaborador de vários jornais em Atibaia e região como o Jornal Opinião, Fim de Semana, e realizador dos Jornais Luzes da Cidade, Blow Up, Plaza Jornal, Jornal da Praça e Café Literário (realizado na Praça Benedito Calixto), o que fazia acontecer independente de qualquer dificuldade operacional ou financeira.
Os jornais feitos pelo Eduardo eram dotados de grande beleza estética, com diagramação primorosa e arrojados. Sua capacidade aliada à grande afetividade se contrapunha aos vícios do cotidiano primário, das relações pobres do toma lá, dá cá. Seus textos sensíveis e contundentes ao lado de imagens fortes e belas enchiam nossos olhos, nossa alma
Almas constroem almas, almas enterram almas. Almas de vivos, almas de mortos. Há quem o conheceu e conviveu com ele. É para estes que, ao amanhecer de hoje, escrevo. Os que vão, tomando atalhos, vida em corte esquizofrênico, já foram nutridos pela morte. Almas cuidam de almas... Creio nisso. Ele, dois nomes. Um, aterrado em solo urbano. O outro, cosmopolita. É como estar aqui e caminhar ao lado do Sena. Dois mundos, duas vidas, numa só pessoa. Arte, o amálgama. Impossível não acreditar no espírito, quando se é tão fecundo. Espírito que continua nas próprias lidas. Tão ele, e tão integrativo. Dava pouca importância – ao que parecia – às coisas do mundo quantofrênico: compromissos de medida e preço. Espírito irrequieto, alquimista da imagem e da palavra. Sempre vendo as coisas em perspectiva. Envolvido e distante, ao mesmo tempo. Daí ser surpreendido por um corte abrupto. Num golpe de mestre, sua arte, rara arte, sobrevivia nas muitas publicações que criou. Valorizava os desconhecidos do sistema cultural, sem se submeter aos cânones que empobrecem a criatividade. Versátil, muito humano, despertava sensibilidades. Ele se acompanhava de gênios e tolos, muitos já passados. Eu, um dos tolos, meus textos e folhetim incompleto. Despertava lampejos de fé em nós mesmos. Nas relações, muitas vezes não o compreendiam e, de fato, chegava a infringir essa coisa tão bem repartida – o bom senso. Existia para transgredir, graças ao próprio e espetacular talento de artista amplo e completo. O caráter cosmopolita sempre presente. Até sofisticação. Profundamente e demasiadamente sensível, costumava brincar nas relações com quem elegia como mais próximo de seus desejos e aspirações. Sei que escrevo de forma medíocre e anárquica, sem pretender embrulhá-lo como mercadoria. Eu o conheci muito pouco. Uma pouquice inesquecível. Trabalhamos juntos, como voluntários, em um jornal. Sempre nos entendemos, até nos completando. Deixou nossa cidade, aquele belo painel da praça, criação dele e de outros grandes artistas daqui. Aqui e de lá de São Paulo me publicou. Aceitou colaborar no meu teatro, quando fiz Molière, e num ensaio fotográfico, entre sonoros tonéis de vinho. Disponível para os amigos. O atalho, por certo, não foi para o nada. Sei que continuará nos inspirando.
Por Élsie Costa
Eduardo, como muitos artistas era uma pessoa avessa às banalidades. Seu comportamento incomum e de espírito critico, deixou marcas. Foi colaborador de vários jornais em Atibaia e região como o Jornal Opinião, Fim de Semana, e realizador dos Jornais Luzes da Cidade, Blow Up, Plaza Jornal, Jornal da Praça e Café Literário (realizado na Praça Benedito Calixto), o que fazia acontecer independente de qualquer dificuldade operacional ou financeira.
Os jornais feitos pelo Eduardo eram dotados de grande beleza estética, com diagramação primorosa e arrojados. Sua capacidade aliada à grande afetividade se contrapunha aos vícios do cotidiano primário, das relações pobres do toma lá, dá cá. Seus textos sensíveis e contundentes ao lado de imagens fortes e belas enchiam nossos olhos, nossa alma
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